Coreografia inédita do Grupo Corpo estreia no palco do Teatro Alfa.
Depois de Breu, de 2007, um libelo contra o negror e a barbárie dos nossos dias, balé notadamente marcado pela preponderância de movimentos de chão, Rodrigo Pederneiras sentiu uma necessidade quase imperativa de transitar para polo oposto. E logo, também, por polos opostos. Acerca das polaridades intrínsecas à condição humana e do princípio de interdependência e complementaridade que rege as relações, uma crônica do antropólogo Roberto Da Matta serviu de ponto de partida para a criação de ímã pelo coreógrafo.
ímã (2009) - Estreia
Obra para 21 bailarinos
Música: Moreno Veloso, Domenico Lancelotti e Kassin
Bach (1996)
Obra para 21 bailarinos
Música: criação livre de Marco Antônio Guimarães sobre a obra de Johann Sebastian Bach
ímã
Mais leve e romântico, “realmente mais pra cima, pra tirar os bailarinos do chão”, segundo Rodrigo Pederneiras. Assim é o novo espetáculo do Corpo que estréia no Teatro Alfa em agosto, com trilha sonora do trio Moreno Veloso, Domenico Lancelotti e Kassin.
A trilha alegre, solar, alto astral composta pelo trio tem muitos metais, percussão, passando por diversos gêneros musicais. Acostumados a imprimir a característica individual de cada um aos seus trabalhos coletivos, os músicos propuseram um desafio para o coreógrafo ao criarem a trilha. Diz Rodrigo: “É impressionante a facilidade com que eles passam pelos gêneros e ritmos. Essa variedade me leva a procurar criar uma unidade para a diversidade proposta”.
Bach
Um Bach mais que barroco. Mineiro. De um azul intenso. E grafite. E dourado. Como as igrejas do ciclo do ouro, nas antigas Geraes - talhadas pelo gênio de Aleijadinho. Um Bach divinamente profanado. Que despenca de súbito dos céus para outra vez ascender às alturas. Um Bach que cantata, mas que também ciranda.
Vigésima sexta coreografia na cronologia da companhia mineira de dança, Bach estreou mundialmente em setembro de 1996 na tradicional Bienal da Dança de Lyon, arrancando dez minutos ininterruptos de aplausos.
Clássico, contemporâneo, universal, interiorano, divino, profano, solene, malemolente, Bach brota de uma criação livre e iluminada do músico Marco Antônio Guimarães, do Uakti, em torno da obra do maior compositor de todos os tempos. Bach, a primeira produção do Grupo Corpo como companhia residente da Maison de La Danse, de Lyon - condição que ocupou por três anos consecutivos.
Direção artística: Paulo Pederneiras
Coreografia: Rodrigo Pederneiras