Bambolina é uma boneca de pano como outra qualquer, que vive sem problemas com sua dona... até o dia em que, de repente, vai parar no olho da rua! Jogada de lá pra cá, sem carinho, sem casa.
A peça é de autoria de Michele Iacocca, dirigida por Beto Andreeetta e Sidnei Caria.
Partindo da proposta de linguagem da companhia, que tem como base a criação de espetáculos de manipulação de bonecos com pouquíssimo uso da palavra, a Pia Fraus chegou ao livro homônimo de Michele Iacocca: uma história contada inteiramente com imagens, sem nenhuma palavra, e que tem como protagonista uma boneca de pano levada de um lado para o outro por seus donos/manipuladores. A identificação com a história foi imediata!
O Espetáculo, pela Pia Fraus
É a primeira vez que encontramos um texto visual, com conteúdo profundo e poético, e ainda por cima com a presença de uma boneca como personagem principal. É bom lembrar também que o livro possui a chancela de altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro – Infantil, o que fortaleceu ainda mais nosso interesse pela história
A adaptação busca ser o mais fiel possível atmosfera do livro e aos traços de seu criador. Para isso, contamos com a colaboração do autor no processo de adaptação.
O espetáculo é pautado no trabalho corporal dos atores, na composição de cada personagem e, principalmente, na relação destes com Bambolina, tentando aproximá -los o máximo possível do que foi desenhado no livro.
A manipulação do cenário também cria uma coreografia a parte, por ser formado por grandes painéis que se encaixam como em um grande livro cujas páginas são possíveis de se arrancar e deslocar pelo palco. Assim são criadas as mais diversas composições e coreografias com os desenhos que ilustram a história original: o quarto da primeira dona de Bambolina, uma praça, um viaduto, e até mesmo um teatro. Além disso, reforça a idéia de que nosso ponto-de-partida foi mesmo um livro que está sendo lido junto com a platéia.
A relação com os objetos e as movimentações em cena interage com as brincadeiras da infância: o carro de polícia que é manipulado como numa brincadeira de carrinho, a boneca que se torna parceira de dança, o esconde-esconde para fugir da polícia...
Até mesmo o figurino entra na brincadeira, lembrando as velhas brincadeiras das meninas com suas bonecas vestidas de roupinhas de papel... Tudo em busca de uma linguagem mais lúdica e próxima do contexto do livro, fazendo da leitura uma brincadeira divertida para todos.
PIA FRAUS - Do latim, "uma mentira contada com boas intenções".
Nos seus 24 anos de existência, a Pia Fraus produziu 18 espetáculos, apresentando-se em 17 países diferentes nos principais festivais nacionais e internacionais de teatro.
Já foram visitados pelo grupo: Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile, Bolívia, Venezuela, Estados Unidos, Espanha, Portugal, Itália, Suécia, França, Inglaterra, Escócia, Índia, Holanda e República Tcheca.
Hoje o grupo possui em seu repertório ativo 9 espetáculos: 100 Shakespeare, Olhos Vermelhos, A Lenda do Guaraná, Bichos do Brasil, Farsa Quixotesca, Navegadores, Gigantes de Ar, Flor de Obsessão, O Vaqueiro e o Bicho Froxo.
Ao longo destes anos, o grupo tem se caracterizado por trabalhar com diretores como Naum Alves de Souza, Hugo Possolo, Osvaldo Gabrieli, Carla Candiotto, Marcia Abujamra, Ione Medeiros, Francisco Medeiros, entre outros, realizando também experiências de co-produção e participação como em Babel Bum (94/95), com o grupo XPTO e Sinfonia Circense (96), com o Acrobático Fratelli e a Orquestra Experimental de Repertório sob a regência do maestro Jamil Maluf. Desde 2002 tem feito diversas parcerias com o grupo Parlapatões, que resultaram nos espetáculos Pano de Roda (02), projeto itinerante patrocinado pela Petrobras (do qual também fez parte o grupo La Mínima), o teatro de rua Hércules (05/06) e o Circo Roda Brasil - que em 2006 estreou com Stapafurdyo.
Michele Iacocca, o autor
Michele Iacocca é italiano e reside no Brasil há mais de quarenta anos. Durante muitos anos publicou cartuns, charges e ilustrações nos principais jornais e revistas do país: Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Veja, IstoÉ, Exame, QuatroRodas, Playboy, Cláudia, Recreio, Crescer, Saúde e muitas outras publicações. Publicou, durante alguns anos, uma tira diária chamada Eva, no Caderno 2 do Estado de S.Paulo, e em vários jornais do país inteiro.
Com formação em Artes Plásticas, é ilustrador de livros infanto-juvenis. Participou da criação, elaboração visual e ilustrações de projetos educativos como Taba, para a Editora Abril, Raizes e Asas, para o Cenpec, premiado pela Unicef, Amigos da Escola para a TV-Globo e Ufício do Professor, para a Fundação Vitor Civita.
É autor de mais de uma centena de livros, entre os quais os premiados Eva, também editado na Europa, Capitu e outras Evas (prêmio HQ Mix), Vacamundi (prêmio Club de Criação), As Aventuras da Bambolina (altamente recomendável Fundação FNLIJ) e o mais recente, O Mágico, o Rei e o futuro do Rei.
Em co-autoria com Liliana Iacocca, sua mulher, publicou livros de sucesso, destacando-se os títulos das coleções Pé no Chão e Labirinto, que continuam na lista dos mais vendidos.
Ficha Técnica
Autor : Michele Iacocca
Direção: Beto Andreetta e Sidnei Caria
Elenco: Sidnei Caria, Camila Ivo e Josafá Filho
Desenho de Bonecos e Arte gráfica: Michele Iacocca
Direção de Arte e Criação de Bonecos: Sidnei Caria
Trilha Sonora: Gustavo Bernardo
Produção Musical: Marco Boaventura
Iluminação: Beto Andreetta
Construção de Bonecos, Cenários e Adereços: Maracujá Laboratório de Artes (Sidnei Caria, Lucas Luciano, Silas Caria, Tetê Ribeiro, Adélia Ribeiro e Maria Ribeiro)
Administração: Jackson Íris e Camila Ivo
Produção: Pia Fraus
Direção Geral: Beto Andreetta
Realização: Pia Fraus e Instituto Alfa de Cultura
Duração: 50 minutos
Recomendado para crianças a partir de 2 anos.
Este projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte Myriam Muniz 2007/2008.