Três brincadeiras muito sérias no teatro infantil

Por Dib Carneiro Neto - atualizada em 27/11/2015 12h20


‘O Maestrino’ é um luxo na interpretação com máscaras. ‘Viralatas, o Musical’ retrata o mundo canino com muito escracho. E ‘Viagem ao Centro da Terra’ alterna linguagens cênicas para contar uma das histórias mais conhecidas da literatura universal. São minhas três dicas de hoje. E as temporadas estão terminando. Corram para ver. Viva o teatro!

A Cia. do Quintal, craque em improvisações e em jogos cênicos repletos de divertidos ‘imprevistos calculados’, desta vez centrou forças nos números de palhaçaria, alguns bem tradicionais, e no uso incrível de máscaras, criadas e confeccionadas de forma brilhante pela especialista Elisa Rossin, que pesquisa essa linguagem há 15 anos. São 13 máscaras no total, todas inspiradas na estética da Cia Famlie Flöz, sediada na Alemanha, importante referência do teatro de máscaras mundial. A direção de César Gouveia é precisa, sem ansiedades, calcada em graça, poesia e na sugestão onírica de uma dramaturgia sem palavras, em que personagens impagáveis (interpretados por Beto de Souza, Denis Goyos, Igor Canova e a própria ‘mascareira’ Elisa Rossin) vivem situações no limite entre sonho e realidade, algo assim como ‘sonhar acordado’. 

Mais um agradável e divertido trabalho avulso da atriz, autora e diretora Alexandra Golik, fora de sua consagrada companhia Le Plat du Jour, que este ano nos brindou com Cinderela Lá Lá Lá. Aqui, com sua outra Cia., a Viradalata, ela divide o palco com dois coadjuvantes muito bem escolhidos (Marco Barretho e Diego Rodda) para juntos contarem (e cantarem) histórias relativas ao mundo canino. Os três se entendem muito bem, brincam, empolgam a plateia e cativam até os adultos com um humor escrachado, repleto de gags e pegada clownesca. Delícia é a interpretação de Alexandra, que faz Fifi, uma cachorrinha de sotaque bem paulistano e cheia de gingas e frescurinhas. A trilha original é bastante competente, assinada em dupla por Alexandra e Gus Bernard. Destaque para a campanha de adoção de cachorros de rua. No saguão do teatro, um painel mostra fotos reais de vira-latas, antes e depois de ganharem um dono.

A Cia. Solas de Vento, que já tem cinco espetáculos em seu repertório, entre eles o premiado ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’, adapta agora outra obra de Julio Verne, ‘Viagem ao Centro da Terra’, desta vez com um diretor convidado: Erik Nowinski. Trata-se de uma das mais movimentadas montagens da atual temporada, que mescla com muita energia e potência o uso de vídeo-projeção ao vivo, teatro físico e manipulação de objetos e bonecos. No elenco, Andre Schulle, Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues dão conta do recado com talentos múltiplos, sem nunca deixar cair o ritmo. Ricardo talvez se sobressaia desta vez, exibindo um vigor incrível nesta que é uma das mais consagradas histórias de viagens e aventuras da literatura mundial. Repare na trilha sonora eficiente, climática e criativa, a cargo de André Vac. Produção muito caprichada.

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